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Julho de 2008
Sérgio Buarque de Holanda na Universidade do Distrito Federal, na Universidade di Roma e na Escola Livre de Sociologia e Política
Rodrigo Ruiz Sanches*

Juntamente com suas atividades jornalísticas e cargos públicos, Sérgio Buarque de Holanda também exerceu a função de professor e pesquisador em algumas universidades, como foi o caso da Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e da Escola Livre de Sociologia e Política, em São Paulo. É nesse momento que o crítico literário, o jornalista e o historiador encontram o professor. Essa função docente será plenamente desenvolvida a partir de 1958, quando Sérgio Buarque de Holanda ingressa como professor catedrático da cadeira de História da Civilização Brasileira, na Universidade de São Paulo, cargo que ocupou em tempo integral durante 13 anos.

É interessante notar como um intelectual independente acaba, por conta das circunstâncias, ligado a esta vida acadêmica. Milliet (1987, p.96), amigo de juventude de Sérgio Buarque de Holanda, sintetiza muito bem a mudança de mentalidade de sua geração: "Não pensávamos em academias [na década de 20], éramos iconoclastas, não raro pelo simples prazer da polêmica, e nunca nos houvera passado pela cabeça que acabaríamos em alguma Academia".

Depois de militar na crítica literária, ofício que não lhe agradava por completo, Sérgio Buarque de Holanda dirigiu o Museu Paulista ao mesmo tempo em que lecionava na Escola Livre de Sociologia e Política, isto na década de 40 e 50. Em 1956, foi convidado para ser professor-substituto na Universidade de São Paulo. A oportunidade de ingressar na USP parece-me ter duas razões: a primeira pessoal, pois os anos deram maturidade intelectual necessária para esse novo desafio, pois já havia transitado em diversos ofícios, tendo até uma razoável experiência docente no Brasil e no exterior. Em segundo lugar, a universidade passava por um momento de grande expansão e prestígio na época, pois gozava de autonomia e consolidava-se em seu projeto de formar quadros e produzir conhecimento. Em suas próprias palavras, Sérgio Buarque de Holanda justifica sua opção pela academia: "A universidade permite uma liberdade maior, na medida em que a gente fica no grupo que escolhe. Talvez por isso o ensino tenha sido mais estimulante. Principalmente no exterior. Por que lá, quando o sujeito vai estudar o Brasil, é porque já sabe alguma coisa. Aqui muitas vezes é apenas porque precisa do diploma". (HOLANDA, 2004, p.12).

O seu contato com a universidade vem desde os anos 20. Formado em Direito pela Universidade do Distrito Federal, Sérgio Buarque de Holanda torna-se professor dessa instituição em 1935, até sua extinção em 1939. Na Alemanha, assistiu às aulas como aluno ouvinte na Universidade de Berlim.

Sua primeira experiência relevante no exterior foi de 17 de junho de 1929 a 13 de janeiro de 1931, na função de correspondente de Assis Chateaubriand. Sérgio Buarque de Holanda embarcou para Alemanha, pelo Cap. Arcona, pretendendo chegar à Polônia e à União Soviética. Em Berlim, a embaixada o indicou para trabalhar na revista Duco, redigida em alemão e português, e especializada nas relações teuto-brasileiras. Passou a colaborar na revista Brasiliannische Rundschau. Traduziu filmes da UFA, entre os quais O anjo azul, estrelado por Marlene Dietrich. A prática do jornalismo, no entanto, o impediu de desenvolver estudos mais elaborados. Essa experiência, diz Eulálio (1993, p.22), "lhe proporcionou um mergulho definitivo, definidor, no campo da Antropologia, da Teoria e da Filosofia da História, da Sociologia e dos Estudos Sociais, e amadureceram nele o Sérgio Buarque de Holanda 'homem essencial' da cultura brasileira".

Na Alemanha, conheceu Thomas Mann (que lhe concedeu uma entrevista), Willy Muzemberg, Chattopandiaya, Henri Guilbeaux, Theodor Daubler. Sem regularidade, assistiu às aulas de história e ciências sociais na Universidade de Berlim, cujo professor era Friedrich Meinnecke. Leu Max Weber, o crítico Gundolf, Kafka, Rilke, Hoffmanstahl, Stefan George.

Sérgio Buarque de Holanda viu a ascensão do nazismo e a crise após 1929, que levou à proibição da revista Duco e à diminuição da produção da UFA. Isso levou Sérgio Buarque de Holanda a regressar para o Brasil, sem ter chegado à União Soviética, talvez seu maior interesse.

Durante sua estada na Alemanha, remeteu para o Brasil uma série de artigos[1] descrevendo e analisando os principais fatos ocorridos nas terras alemãs, bem como em toda a Europa. A volta da Europa levou Sérgio Buarque de Holanda mais uma vez às atividades jornalísticas, só que agora mais amadurecido e confiante. Aqui, pretendeu por em prática sua Teoria da América, um caderno de notas de 400 páginas, que escreveu durante sua estada no estrangeiro. Esse estudo é considerado a gênese do clássico livro Raízes do Brasil, que foi rascunhando em parte na Alemanha e publicado na revista Espelho, em 1935, sob o título de Corpo e alma do Brasil[2]. Nele estavam contidos pelo menos dois dos capítulos de Raízes do Brasil, "dele extraído quase intactos, apesar das páginas desordenadas". (WITTER, 1987).

Ao longo da vida, sempre manteve contato com as universidades estrangeiras, seja ministrando aulas, cursos ou palestras, seja como pesquisador: "Só quando você está longe é que consegue ver seu próprio país como um todo", dizia Sérgio Buarque de Holanda, numa entrevista concedida a David Graham (1987, p.104). Em outro momento, Sérgio Buarque de Holanda retomou essa observação:

Quando estamos num país estrangeiro vemos nosso próprio país com mais interesse, reparamos na diferença, no choque. Certa vez o historiador americano Lewis Hanke me disse para escrever um livro sobre um país não bastaria ter vivido nele por três meses: 'Três meses ou mais de dez anos', ele dizia. Seriam dois livros diferentes, claro. Mas a idéia é que nesses três meses temos o primeiro choque. Depois o contraste vai se perdendo. Digo isso para mostrar como, do estrangeiro, vemos o Brasil de outra maneira. Na Alemanha procurei ver outras coisas do Brasil, confrontar com o que existe lá fora". (HOLANDA, 2004, p.7-8).

Destacaremos, também, os diversos eventos de que Sérgio Buarque de Holanda participou ao longo de sua carreira acadêmica. Podemos perceber que o contato com as universidades, bibliotecas e arquivos estrangeiros contribuíram para sedimentar a já sólida formação de nosso historiador. As "missões estrangeiras" permitiram uma visão muito mais completa de nossa realidade, e o contato com as pesquisas, com os pesquisadores e com as idéias que circulavam pelo mundo, foi filtrado e serviu para repensar a história brasileira e remexer o pó que pairava sobre algumas teses e fatos históricos.

Outro ponto a que daremos destaque, são os diversos eventos dos quais Sérgio Buarque de Holanda participou. Procuramos descrever, detalhadamente, todos esses eventos, inserindo-os no contexto histórico. Acreditamos, com isso, que a recepção do historiador no exterior foi um momento de grande importância para o seu reconhecimento no seu próprio país. Do mesmo modo, a tradução de algumas de suas obras, bem como as dificuldades decorrentes dessas traduções, foi discutida por Santos (1992) num texto comparativo entre Tzvetan Todorov e Sérgio Buarque de Holanda. Visão do Paraíso, por exemplo, embora fundamental, é um livro pouco lido e discutido no Brasil. No exterior, nunca foi traduzido para o espanhol ou para o italiano, de modo diverso de Raízes do Brasil, traduzido para diversas línguas, inclusive japonês. As razões para esse insucesso, segundo Santos, são: o desinteresse de Sérgio Buarque de Holanda em montar e aceitar esquemas promocionais para construir uma imagem internacional; o "ensaísmo" de Sérgio Buarque de Holanda oferece a dificuldade, para a tradução, do estilo demasiadamente denso e pesado, e o tratamento técnico de seus trabalhos aparece não no exame de temas nacionais, mas na questão mais circunscrita do tema da fronteira, como é o caso de Monções. Todorov, como revela Santos, leu e citou Sérgio Buarque de Holanda em seu texto La conquête de l'Amérique, mas não o utiliza como interlocutor, relegando-o a algumas notas esparsas e citações sem discussão, embora haja uma aproximação dos temas entre os dois autores.

Outra causa apontada por Santos (1992) para a pouca recepção no exterior das obras de Sérgio Buarque de Holanda, bem como de outros escritores, é o fato de estarmos na periferia do sistema e, portanto, sermos intelectuais da periferia. Sérgio Buarque de Holanda foi, e é, vítima desse desencontro, que caracteriza a recepção internacional a intelectuais de periferia, seja à produção teórica e histórico-cultural, seja à crítica de idéias, às obras de cunho interpretativo da ciência social e das humanidades. Mariza Peirano, citada por Santos (1992), observou que a língua portuguesa não corresponde ao único empecilho para o reconhecimento de trabalhos nos países periféricos. A Índia, por exemplo, compartilha da mesma língua de sua ex-metrópole inglesa e tem seus trabalhos pouco difundidos no velho continente. A razão, portanto, é política, e não meramente lingüística:

É possível extrair duas lições da atitude ética, política e intelectual de Sérgio Buarque, à luz das considerações de Antonio Candido. Primeiramente, o intelectual da periferia está destinado ao incômodo papel de buscar acesso no mundo acadêmico estrangeiro através dos 'interstícios' do compacto sistema de atribuição de prestígio e hierarquização de papéis. Ao assumir os papéis, duramente conquistados, terá de ampliar e consolidar as brechas daquele sistema. Em segundo lugar, não caberá adesismos nessa procura de diálogo internacional, isto é, não é legítima a remoção de obstáculos 'a qualquer custo'. Há limites de natureza ética e política para os esforços de participação. (SANTOS, 1992, p.163).

* * * * *

A seguir, veremos a atuação de Sérgio Buarque de Holanda na universidade. Destacaremos quatro momentos importantes dessa fase: a Universidade do Distrito Federal, a Universidad di Roma, a Escola Livre de Sociologia e Política.

Universidade do Distrito Federal

Nascido em São Paulo, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1921, onde se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, que ficava na Rua do Catete, onde se forma em 1925.

O primeiro contato trabalhista como professor foi com a mesma Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. A UDF foi criada em abril de 1935 pelo prefeito Pedro Ernesto e pelo secretário da educação Anísio Teixeira. A universidade compreendia cinco escolas - Ciências, Educação, Economia, Direito e Filosofia, e Instituto de Artes. A jovem universidade mal se consolidava e já conhecia dificuldades. Pedro Ernesto e Anísio Teixeira eram vistos como suspeitos do radicalismo de esquerda pela Aliança Nacional Libertadora. Isso, aliado ao ciúme natural de outras unidades de ensino superior existente no Rio de Janeiro, levou ao afastamento de Anísio Teixeira. A universidade sobrevive até 1939, tendo como novo reitor Afonso Pena Júnior. O Diretor de Filosofia e Letras é Prudente de Morais, neto, amigo de infância de Sérgio. Neste ano de 1936, pontificou na universidade gente renomada, como os professores franceses Émile Bréhier (Filosofia), Eugene Albertini, Henri Hauser e Henri Tronchon (História), Gaston Leduc (Lingüística), Pierre Deffontaines (Geografia) e Robert Garric (Literatura). A proposta de trazer essa "missão estrangeira" foi interessantíssima, pois pôde dar novos rumos aos estudos dessas áreas em solo brasileiro. A experiência dessas "missões estrangeiras" foi aproveitada também pela recém-criada Universidade de São Paulo, em 1934.

Sérgio Buarque de Holanda foi convidado, em 13 de maio de 1936, pela UDF, para o cargo de Professor-Assistente dos professores Henri Hauser e Henri Tronchon, nas cadeiras de História Moderna e Econômica. O contrato, por 12 horas semanais de serviço, era de um ano, terminando em 30 de abril de 1937. No entanto, em 1937, tornou-se Professor Adjunto de História Moderna e Econômica e de Civilização Luso-Brasileira, cargo que ocupou até 1939. Os professores franceses foram trazidos para o Brasil por Anísio Teixeira, primeiro reitor daquela "efêmera" universidade. Sérgio lecionou, posteriormente, as cadeiras de Cultura Luso-Brasileira e de História da América. Em 1938, foi nomeado Professor-Adjunto da Segunda seção didática, cargo que ocupou por apenas um ano.

Os livros Monções e Caminhos e Fronteiras "foram concebidos e executados em fase posterior ao seu magistério na Universidade do Distrito Federal, onde se iniciara sob a orientação de Henri Hauser nas técnicas de pesquisa sistemática, transpondo para a investigação documentária o gosto que sempre teve pela erudição". (EULÁLIO, 1993, p.25). De fato, a passagem pela Universidade do Distrito Federal foi de fundamental importância para a formação do jovem historiador. O contato com os professores franceses, aliado à experiência docente baseada num projeto que primava pela liberdade, despertou em Sérgio o gosto pelas pesquisas históricas, ainda muito superficiais no Brasil[3].

No entanto, as dificuldades de manutenção de um projeto pedagógico inovador e autônomo contrariavam os interesses centralizadores e autoritários do Estado Novo. Em 1939, a Universidade do Distrito Federal foi incorporada à Universidade do Brasil, nome da Universidade do Rio de Janeiro desde 1937. Terminara, assim, uma das mais notáveis tentativas de ensino superior ligado à pesquisa, de largos horizontes. (IGLESIAS, 1992).

A UDF deu-lhe visibilidade e reconhecimento. Após essa breve passagem por esta universidade, Sérgio foi convidado inúmeras vezes a viajar para o exterior a fim de proferir palestras ou ministrar algum curso. Foi assim em 1941, quando viajou durante três meses para os Estados Unidos (Nova York, Chicago e Washington), onde estivera alguns meses a convite da Divisão de Cultura do Departamento de Estado.

Nos Estados Unidos, foi professor convidado no cerimonial de formatura dos alunos da Universidade de Colúmbia. Proferiu conferências sobre História do Brasil para os alunos do curso intensivo de português e espanhol na Universidade de Wyoming (Laramie). Na Universidade de Chicago, participou de uma mesa-redonda sobre relações políticas e econômicas latino-americanas, sob os auspícios da Norman Hait Foundation on Internacional Relations. Ao que parece, Holanda foi surpreendido por um tema que ele não sabia ao certo, tendo que, às pressas, levantar, por meio do Consulado Brasileiro, dados sobre a produção de borracha, fato que "encheu os ouvidos da platéia" e o eximiu de responder a perguntas sobre o assunto. Sérgio Buarque de Holanda relata que o principal resultado dessa viagem aos Estados Unidos foi trazer de volta ao Brasil trabalhos de ciências sociais, especialmente da "Escola de Chicago", e obras sobre a chamada Nova Crítica. Ele dizia, em tom sarcástico, que queria "surpreender os amigos com o que sabia", não sobrecarregando nomes e citações de autores pouco conhecidos aqui, "para fortalecer os inseguros e os impressionáveis". (GRAHAM, 1987, p.109). Lá, realizou, ainda, pesquisas relacionadas a problemas de História, sobretudo da América e do Brasil, especialmente na Biblioteca do Congresso e também na Public Library da cidade de Nova York.

Extinta a Universidade do Distrito Federal, Sérgio Buarque de Holanda passou a trabalhar no Instituto do Livro. Em 1944, passou do Instituto do Livro para a Biblioteca Nacional, dirigindo a Divisão de Consultas. Em 1946, retornou a São Paulo para dirigir o Museu Paulista.

Universidad di Roma

Ocupou, dentre 1° janeiro de 1953 e 31 de dezembro de 1954, a então criada cadeira de Estudos Brasileiros (Studi Brasiliani), na Universidade di Roma. Em fins de 1954, foi escolhido pela Congregação dessa universidade para reger também a cadeira de História da Literatura Brasileira, criada em caráter efetivo. Embora fixado em Roma, na Via San Marino, n.º 12, viaja por quase toda a Itália e pela França. Nesse período, exerceu diversas atividades, entre as quais: aulas regulares em língua portuguesa para os alunos de português do Instituto de Cultura Ítalo-Brasileiro; curso e conferências paralelamente às aulas regulares, sob o título "Introduzione Allo Studio della Cultura Brasiliana", pronunciados todas as semanas, de março a junho de 1953; colaborou também no Instituto de Studi Brasiliani.

Representou a Embaixada do Brasil como membro do Conselho de Administração da Fundação Amerigo Rotellini, cujo objetivo era fornecer bolsas de estudos a brasileiros que pretendessem especializar-se na Itália. Tomou parte em comissões julgadoras encarregadas de conceder o Prêmio Pasquale Petraconi, estabelecido pelo Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, aos melhores trabalhos relativos à contribuição italiana para o desenvolvimento do Brasil.

Fundou o Instituto de Estudos Brasileiros, que funciona em um velho castelo romano - o Antiche Mattei. Esse instituto teve uma atividade intensa, através de cursos de português, conferências sobre assuntos brasileiros, concertos, exposições, palestras, etc.[4]. Sérgio também se engajou na publicação de cerca de 50 obras pertencentes à literatura brasileira, tais como: "Memórias de um Sargento de Milícias", "Dom Casmurro", "Angústia", etc.

Em Veneza, participou do Congresso da "Société Europenne du Culture". Em fevereiro de 1954, proferiu palestra no Campidoglio sobre a cidade de São Paulo, em cerimônia realizada em comemoração ao IV Centenário de sua fundação. Essa palestra foi publicada, posteriormente, na "L'Ilustrazione Nazionale". No Lyceum Romano, proferiu conferência a respeito de "L'Italia nello sviluppo e nella vita del Brasile".

Na Suíça, participa do "Rencontre Internacionale de Genève", e profere uma conferência, seguida de debate, focalizando "Le Brésil dans la Vie Americaine", dentro do tema "L'Europe et le Nouveau Monde", a 3 de setembro de 1954. Posteriormente, sua conferência "Le Brésil dans la Vie Américaine"[5], é publicado em Neufchatel, no volume "IX Rencontre Internacionale de Genève"[6]. Nestes dias, Sérgio Buarque de Holanda deu duas entrevistas a jornais franceses. No "La Suisse", do dia 07 de setembro de 1954, falou sobre "Le premier entretien prive - IX Rencontres Internacionales", comentando sobre o positivismo e sua manifestação no Brasil, as influências e as diferenças político-filosóficas entre os Estados Unidos e a América Latina. No "La Tribune de Geneve", do mesmo dia, Holanda concedeu uma entrevista intitulada "Le second entretien prive".[7] Foi eleito membro do comitê do Internacional Council of Museum (ICOM) e, como tal, participou, em 1954, de uma reunião no Louvre, em Paris.

Aproveitando sua estada na Itália, pesquisou no arquivo do Vaticano, na Biblioteca Nacional e no "Archivio di Stato", em Florença: "Instigado por um compromisso com José Olympio, Holanda aproveitara sua estada como professor na Universidade de Roma para pesquisar o acervo da Arcádia Romana - vindo a demonstrar sua superior influência sobre o Arcadismo mineiro - e ler exaustivamente, como se verifica pela bibliografia, os árcades italianos e os seus estudiosos". (GALVÃO, 2001, p.474).

Um desses artigos, até então inédito, foi publicado recentemente em edição bilíngüe em razão dos cem anos de nascimento do historiador. Intitulado "A contribuição italiana para a formação do Brasil" (Apporto italiano nella formazione del Brasile)[8], esse pequeno livrinho é fruto de uma palestra de Aniello Ângelo Avella, dada na Universidade de Santa Catarina. Avella (2002, p.23), que prefaciou o livro, explica que tal artigo foi "uma espécie de carinhosa despedida da Cidade Eterna, que acolhera Sérgio Buarque com calor e respeito, e de uma síntese das pesquisas em bibliotecas e arquivos italianos dos quais havia extraído excepcional bibliografia da qual surgiram Visão do Paraíso (1959), numerosíssimos ensaios publicados, em parte, em jornais e revistas nos ensaios imediatamente sucessivos"[9].

Visões do Paraíso, como é sabido, foi a tese de cátedra de Sérgio, apresentada junto à USP. Capítulos da Literatura Colonial ficou guardado na gaveta e só depois de sua morte encontrado e entregue a Antonio Candido para revisão e publicação. Embora inacabada, tal obra apresenta um profundo estudo sobre o panorama literário brasileiro na época colonial. Segundo Candido, "uma obra inacabada, referente na maioria absoluta à épica e ao Arcadismo, em redação praticamente definitiva". (HOLANDA, 1991, p.22).

Avella destaca o profundo conhecimento do historiador brasileiro sobre os autores italianos, tanto clássicos quanto modernos. Esse artigo apareceu primeiramente na revista Ausonia (v.9, n.5, p.9-20, set./out. 1954)[10]. Já em suas primeiras linhas, vê-se uma apologia à grandiosidade do Brasil (maior país das Américas; maior rio do mundo, o Amazonas; população que cresce mais do que em outros lugares; a baía mais bonita e imponente do mundo, a Guanabara). São lugares-comuns que parece servirem mesmo de apresentação do Brasil aos estrangeiros. É de se estranhar, dado que Sérgio não é afeito a tais ufanidades, ou que ele tenha-se prestado a tal falta de originalidade. Estranhamento confirmado ao ler o fim desse parágrafo: "Se toquei, no início, nessas teclas, foi para render, eu também - americano e brasileiro -, minha homenagem a esse mal de origem e dele me liberar, sabendo que existem outros problemas mais dignos de exame". (HOLANDA, 2002, p.47). A partir daí, seguiu a discussão dos principais problemas brasileiros oriundos da implantação da colonização portuguesa: "Problemas ligados à introdução, no Brasil, de costumes, idéias, normas de vida e instituições [...]". (HOLANDA, 2002, p.47). Sérgio destacou também a explicação para a singularidade brasileira, país embora colonizado por um dos povos ibéricos, apresenta mais semelhança aos povos europeus do que aos irmãos do sul. Sérgio então explicou as diferenças da colonização portuguesa e da colonização de outros povos europeus, destaque dado aos italianos (navegadores e mercadores como genoveses, venezianos, entre outros). Ainda em tom didático, Sérgio Buarque de Holanda caminhou pela superficialidade que apresenta a visão portuguesa dos índios (mediante análise da carta de Caminha) que os apresenta como "seres dóceis, simples e belos", mas que deveriam ser "salvos".

A contribuição italiana na formação do Brasil inicia-se no campo econômico, por meio de alguns italianos que administraram negócios em São Paulo e Pernambuco. Em todo o texto, pululam citações de fontes que fundamentam seu argumento e dão realismo e vivacidade aos fatos históricos. Tais fontes são cartas datadas dos séculos XVI e XVII e documentos, alguns ainda inéditos, pesquisados nos arquivos italianos. A simpatia pela língua italiana no Brasil, por exemplo, é explicada como uma reação ao espanholismo, rivalidade iniciada após a separação de Portugal do reino de Castela. A língua italiana está presente nos ambientes mais cultos da Colônia, dando prestígio àqueles que a sabem usar, como foi o caso de alguns poetas e escritores: "Graças ao contato com os italianos, os portugueses imaginavam poder alcançar, no campo literário, a mesma independência que, nos confrontos com a Espanha, já haviam conquistado no campo político desde 1640". (HOLANDA, 2002, p.97).

A segunda metade do século XVIII é marcada pela educação dada aos literatos brasileiros "quase todos educados sob a influência de uma instituição importada da Itália, as academias italianas, e ainda de outra criação italiana, a Arcádia, um sentimento de maturidade que não tardará a passar das letras à política". (HOLANDA, 2002, p.105). A Arcádia influenciará diretamente nos destinos do Brasil, pois algumas das figuras mais importantes desse período tinham uma ligação com essa instituição, como foi o caso da Inconfidência Mineira, que tinha poetas árcades e o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada, cientista e poeta, que na Arcádia se chamava Américo Elísio.

Ao revelar a influência italiana na história e na pré-história brasileira, Sérgio finalizou seu artigo, em tom conciliador:

E estou convencido de que no fundo, e na origem de um influxo tão persistente, deve existir não uma escolha aleatória, mas uma afinidade essencial e inelutável. É essa, acredito, além de muitas outras, uma razão poderosa para que se estimule o conhecimento recíproco entre dois povos, duas culturas tão distantes entre si no espaço, mas tão próximas nas suas raízes comuns e seculares. (HOLANDA, 2002, p.109).

Sérgio Buarque de Holanda tratou da influência italiana até o século XVIII, deixando de lado a importância da imigração italiana que se inicia em fins do século XIX e início do XX, que marcou a cultura brasileira, principalmente a cultura paulista e sulista. As razões para isso podem estar na grandiosidade do tema e até na farta bibliografia, o que inviabilizaria os limites de um artigo. Parece-me que a intenção do historiador tenha sido mesmo escarafunchar fatos até então desconhecidos do grande público, tanto brasileiro quanto italiano, e traçar um panorama bem amplo e superficial da história brasileira, mesmo porque são esses os objetivos de um artigo, limitado a poucas páginas.

Carlos Alves de Souza, embaixador brasileiro na Itália, reitera, em uma carta, a importância da estada de Sérgio Buarque de Holanda neste país, que abriu portas para que o Brasil passasse a figurar como um tema de pesquisa no velho continente, e lamenta o término desse vínculo, deixando claro que o "substituto" do professor Sérgio deveria ter a mesma envergadura intelectual: "Desde sua chegada, o professor Buarque de Holanda entrou em contacto estreito e quotidiano com os meios universitários e culturais italianos e onde soube impor-se à estima e à admiração de seus colegas italianos".[11]

A estada na Itália permitiu ao historiador Sérgio Buarque de Holanda o contato mais íntimo com alguns dos principais arquivos e bibliotecas da Europa. Assíduo freqüentador desses ambientes, pôde, devido à sua grande curiosidade e paciência, resgatar muitos documentos inéditos que iriam compor o arcabouço teórico de algumas de suas obras e diversos artigos que frutificaram durante esse período.

Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP)

A ELSP foi fundada em 27 de maio de 1933[12], e permaneceu como uma instituição de ensino e pesquisa, complementar da Universidade de São Paulo. Tinha como objetivo formar a "elite instruída sob métodos científicos apta a estabelecer as ligações do homem com o meio social", concebida como uma elite administrativa e empresarial. (CARDOSO, 1982, p.157).

No Manifesto de Fundação da ELSP[13], lê-se uma crítica direcionada à falta de uma "elite numerosa e organizada, instruída sob métodos científicos, a par das instituições e conquistas do mundo civilizado, capaz de compreender, antes de agir, o meio social que vivemos". O povo, diz o manifesto, "sente-se mais ou menos às tontas e vacilante", mas falta-lhe a "mola central de uma elite harmoniosa, que lhe inspire confiança, que lhe ensine passos firmes e seguros". E por fim, explica tal manifesto:

Falta em nosso aparelhamento de estudos superiores, além de organizações universitárias sólidas, um centro de cultura político-social apto a inspirar interesses pelo bem coletivo, a estabelecer ligação do homem com o meio, a incentivar pesquisas sobre as condições de existência e os problemas, vitais de nossas populações, a formar personalidades capazes de colaborar eficaz e conscientemente na direção da vida social. (p.151).

A ELSP vem preencher essa lacuna evidente.

Assinaram esse manifesto cerca de 100 pessoas, entre diretores das diversas faculdades de São Paulo, jornalistas e intelectuais. Nesse período, segundo o Anuário da ELSP (1947, p.5),

os fundadores, elementos da escola intelectual paulista, impressionados com o malogro de todas as tentativas de reorganização da vida econômica e política do País, perceberam que os insucessos resultavam do desequilíbrio entre o ritmo acelerado do nosso progresso material, gerador de múltiplos e complexos problemas, e o nosso incompleto aparelhamento de ensino ao qual faltava uma escola que disseminasse os conhecimentos indispensáveis aos elementos que pretendesse cooperar com os órgãos da administração pública no estudo e solução dos problemas nacionais.

A ELSP foi organizada nos moldes dos institutos congêneres europeus e americanos. Segundo o Anuário, de 1947, a ELSP é destinada a:

I - Proporcionar conhecimentos objetivos sobre a origem, funções e necessidades do meio social;

II - Formar, assim, um grupo numeroso de indivíduos que pudesse não só colaborar eficaz e conscientemente na solução dos problemas da administração pública e particular, como também, eventualmente, orientar o povo e a nação no reajustamento indispensável ao moderno equilíbrio social.

Para alcançar tal escopo, a Escola organizou:

a) Cursos letivos sistematizados; b) Conferências em séries ou avulsas sobre assuntos da atualidade; c) Aulas práticas nas disciplinas ensinadas; d) Publicações impressas para a divulgação dos trabalhos científicos realizados por seus professores e alunos; e) Uma Biblioteca e Arquivo especializados sobre ciências sociais e conexas; f) Um movimento permanente de intercâmbio cultural com organizações análogas e estrangeiras, e g) Bolsas de estudos e estágios de especialização para os alunos mais esforçados.

Em 1947, Sérgio Buarque de Holanda iniciou suas atividades junto à ELSP, onde permaneceu até 1957. Foi responsável pela Cadeira de História Econômica do Brasil, lecionada anteriormente por Roberto Simonsen, e, em 1955, também pela Cadeira de História Social e Política.

No período em que lecionava na ELSP, Sérgio Buarque de Holanda ausentou-se várias vezes para realizar viagens ao exterior. Em novembro de 1949, afastou-se da ELSP para participar, sucessivamente, de três Comitês da UNESCO em Paris, relacionados com matérias de sua especialidade, e pronunciou, entre abril e maio, uma série de conferências na École Practique de Hautes Études, da Sorbonne. Prestou colaboração ao Musée de l'Homme de Paris, a convite de seu diretor, Paul Rivet, na organização do material referente ao Brasil. Participou, em maio desse mesmo ano, de um comitê - composto por representantes de oito países -, organizado pela Unesco, com o fito de discutir o conceito de democracia. Em novembro, retornou à Europa, a convite da Unesco, para participar de dois outros comitês, em Paris. Um, para estudar os contatos entre as civilizações e culturas e, outro, para discutir a possibilidade de tradução de obras representativas de diferentes localidades. O resultado do trabalho consta no volume impresso pela Unesco sob o título "Interrelations of Cultures. Their Contribuition to Internacional Understanding, e uma edição francesa intitulada "L"Originalité dês Cultures".

Em 1950, afastou-se novamente para participar de um seminário na Universidade de Colúmbia. Participou, também em 1950, do Primeiro Colloquium de Estudos Luso-Brasileiros, reunidos em Washington. Nos Estados Unidos, pesquisou na Biblioteca do Congresso e na Biblioteca Pública de Nova York. Participou de seminário, juntamente com a Prof.ª Alice P. Canabrava, na Universidade de Colúmbia, a convite do Professor Frank Tennembaum. Na volta dos Estados Unidos, passou pela Europa, visitando França, Espanha e Portugal, onde efetuou pesquisas no Arquivo Ultramarino, na Torre do Tombo e na Biblioteca Nacional, no setor de "reservados" e na Coleção Pombalina. Estas pesquisas seriam importantes para desdobrar a sua obra Monções. Em 1954, participou do IX Rencontres Internationales de Genevè, onde fez uma conferência seguida de debates, sobre o tema "L'Europe et le Nouveau Monde", publicada no mesmo ano pelas edições de La Baconnière, em Lausanne, Suíça.

Matriculou-se, em 4 de agosto de 1956[14], na Escola Graduada em Ciências Sociais, da ELSP, a fim de obter um título acadêmico pós-graduado, exigência para prestar o concurso de cátedra da USP. Para ingressar como aluno regular, Sérgio Buarque de Holanda realizou várias provas e trabalhos. A prova de "Língua Inglesa" foi uma tradução de um trecho de "Plural and Differencial Aculturaltive in Trinidad", de Daniel J. Cronwley, artigo da Revista American Anthropoloist, de 1957. Essa prova foi aplicada pelo Prof. Octávio da Costa Eduardo que lhe atribuiu a nota 9,0. Essa prova foi aplicada pelo Prof. Herbert Baldus, que lhe atribuiu a nota A. A melhor nota recebida na prova de Língua Alemã se deve, talvez, à familiaridade maior do historiador com essa língua, já que passou dois anos na Alemanha.

Sérgio Buarque de Holanda, ao que parece, levou com muita seriedade esse curso de pós-graduação, impressão comprovada pela qualidade de seus trabalhos e pelas notas recebidas. Os trabalhos[15] escritos para as disciplinas são ensaios rigorosos, fundamentados, muitas vezes, em bibliografia em língua estrangeira (alemão, francês, inglês e espanhol), atas e outras fontes presentes em documentos históricos colhidos nos mais diversos arquivos no Brasil e no exterior.

Para a disciplina "História Social do Brasil", ministrada pelo Prof. Octávio da Costa Eduardo, Sérgio apresentou o trabalho intitulado "São Vicente e as 'Índias de Castela'". Recebeu nota A+. Em outro trabalho para a disciplina "História Social do Brasil", Sérgio apresentou o trabalho "Formação de uma vila sertaneja", e recebeu também a nota A+.

O Prof. Herbert Baldus foi responsável por cinco disciplinas, atribuindo-lhe nota "A" em todas. Para a disciplina "Índios da América do Sul", Sérgio Buarque de Holanda apresentou o trabalho "Índios do Brasil - os paiaguá". Para a disciplina "Problemas de Aculturação", apresentou o trabalho "As canoas de casca". Para a disciplina "Índios do Brasil", entregou o trabalho intitulado "Os caiapó do Sul". Para a disciplina "Problemas de Mudança Cultural", entregou o trabalho "Das piperis às balsas jesuíticas". Por fim, para a disciplina "Pesquisas no Brasil - leituras sistemáticas", apresentou o trabalho "João Emanuel Pohl e os viajantes do segundo decênio do século XIX". Para a disciplina "Pré-história da Europa", ministrada pelo prof.° Fernando Altenfelder Silva, apresentou o trabalho "Pensamento e arte na Pré-História". Não foi possível encontrar a nota desta disciplina.

Em 30 de julho de 1958[16], Sérgio Buarque de Holanda submeteu-se ao exame "comprehensive", espécie de "qualificação", para obter o grau de Mestre em Ciências Sociais, tendo sido aprovado em todas as disciplinas acima.

No dia 04 de julho de 1958[17], defendeu a tese intitulada Elementos formadores da sociedade portuguesa na época dos descobrimentos[18], e recebeu o grau de Mestre em Ciências Sociais. Participaram de sua banca examinadora os professores Herbert Baldus, Fernando Altenfelder Silva, Lolita Almeida e Octavio da Costa Eduardo.

A experiência docente na ELSP, que durou quase 10 anos, trabalho que realizou concomitantemente com a Direção do Museu Paulista e com a coluna de crítica literária do "Diário de Notícias", foi uma das fases de maior produção científica de Sérgio Buarque de Holanda. A consagração como o maior historiador brasileiro veio no seu ingresso na Universidade de São Paulo e com a publicação de Visões do Paraíso, como veremos a seguir.

Conclusão

O projeto da Universidade do Distrito Federal em muito agradava o jovem historiador. O espaço dado a Sérgio Buarque de Holanda e o contato com os professores estrangeiros, em muito, foram determinantes na sua escolha pela profissão de historiador. Infelizmente, essa universidade e o seu projeto inovador conduzido por Anísio Teixeira tiveram uma breve existência.

A estada de dois anos na Universidad di Roma possibilitou ao historiador realizar inúmeras pesquisas em arquivos e museus, não só na Itália, mas também em outros países europeus. O material recolhido culminou em alguns trabalhos que só recentemente foram publicados, como é o caso de O Extremo Oeste e A contribuição italiana para a formação do Brasil. A recepção de uma obra ou mesmo o respeito e o prestígio no exterior deram maior status a Sérgio Buarque de Holanda, ainda mais no Brasil, nação com mentalidade provinciana que necessita deste tipo de "aprovação" com certificado estrangeiro. Mesmo assim, a única obra que teve repercussão internacional foi Raízes do Brasil, justamente aquela pela qual nutria menos apreço.

Por fim, A ELSP contribui de forma decisiva na formação do historiador. Além da experiência docente dos quase dez anos que esteve lá no cargo de docente, Sérgio Buarque de Holanda acabou por se tornar aluno do curso de pós-graduação. Sua brilhante passagem pela USP, e sua conseqüente consagração, não teria se concretizado não fosse esses anos de dedicação e trabalho junto à ELSP.



[1] Esses artigos permanecem, em sua maioria, inéditos. Alguns podem ser encontrados no IEB/USP.

[2] Este artigo pode ser encontrado na Revista do Brasil, v. 3, nº. 6, de 1987.

[3] Segundo Caldeira (2002, p.87), é na universidade que veremos a institucionalização das Ciências Sociais no Brasil. Antes, o que havia era amadorismo, só depois profissionalismo. No que se refere às Ciências Sociais, a atuação de professores estrangeiros seguidores da linha funcional-culturalista, contratados para lecionar Sociologia e Antropologia na Escola Livre de Sociologia e Política e na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) - primeiros centros formadores de profissionais dessas disciplinas no país-, sem dúvida muito influenciou seus discípulos na adoção e emprego dos métodos de investigação culturalista em seus estudos e pesquisa.

[4] Folha da Manhã, São Paulo, 16-01-1955. (Siarq/Unicamp).

[5] Este artigo também foi publicado no jornal La Tribune de Geneve, em 04-05 set. 1954.

[6] Idem.

[7] As duas entrevistas podem ser consultadas no Siarq/Unicamp.

[8] Holanda (2002).

[9] Tais artigos podem ser encontrados em Holanda (1996a).

[10] Segundo Avella (2002, p.19), "[...] o número é totalmente dedicado ao Brasil e Sérgio Buarque de Holanda, que é seu organizador, apresenta aos leitores um rico panorama de contos e ensaios mais ou menos conhecidos na Itália, entre os quais Machado de Assis, José Lins do Rego, Sérgio Milliet, Barreto Filho, junto a uma 'Antologia Mínima' de poesias 'quase todas inéditas para os brasileiros', como se lê à p. 67, compreende líricas de Manuel Bandeira, Ribeiro Couto, Cassiano Ricardo, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Abgar Renault, Murilo Mendes, Vinícius de Moraes, Ledo Ivo".

[11] Esta carta pode ser encontrada no Siarq/Unicamp.

[12] A ELSP foi reconhecida em 6-9-1946, por meio do Decreto-Lei 9876, de acordo com o parecer n.° 243, aprovado por unanimidade pelo Conselho Nacional de Educação na sessão de 27-12-1944.

[13] Conforme Anuário da ELSP, de 1947, p. 150.(CEDOC/FELSP).

[14] Conforme Requerimento de Matrícula. (CEDOC/FESPSP).

[15] Todos os trabalhos entregues encontram-se no Dossiê SBH. (CEDOC/FESPSP).

[16] Conforme documento da Divisão de Estudos Pós-Graduados. (CEDOC/FELSPSP).

[17] Idem.

[18] Essa dissertação está sendo analisada por Edgar de Decca, que acredita na hipótese de ela não ter sido escrita por volta de 1956, e, sim, nos anos 30, período em que esteve na Alemanha. A cópia, em mimeógrafo a álcool, tem 160 folhas.

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